quinta-feira, junho 23, 2005
terça-feira, junho 21, 2005
beijo em tons prateados como o abraço tremeluzente da lua ao mar
sexta-feira, junho 10, 2005
uni palavras num secreto sonho perdida nas vozes do mar e em silêncio lembrei-me de ti ao acordar
O Poema
O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, junho 06, 2005
sexta-feira, maio 20, 2005
tantas noites de espera no mar imenso
mar que cortas o silêncio
nos dias que amanhecem em sobressalto
rasgas imagens do passado
que renascem numa lua fraudulenta
trazes sobressaltos cobertos de penumbra
onde as vozes são devoradas pelo tempo
olhares cansados
corpos indolentes
pálidos
e
longe do pavor
escrevo na certeza
que tudo se esvairá
no instante de largar amarras
e zarpar
malicioso mar que me atormentas
l.maltez
sábado, maio 14, 2005
um trabalho de casa que não estava habituada
Cadeia Literária :
recebi da {{coral}} um pedido para continuar esta cadeia literária.obrigada pela confiança, embora eu não seja muito dada a inquéritos vou tentar responder, desculpa ter sido tão tarde, mas o meu blog anda sempre muito atrasado
1. Não podendo sair de Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
penso que nenhum, o que é meu é muito meu , e deixar queimar um não conseguia, não faz parte da minha maneira de ser
2. Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por uma personagem de ficção?
e não , é mesmo ficção, termina quando acaba
3. Qual foi o último livro que compraste?
Anjos e Demónios de Dan Brown, estou a gostar de o ler
4. Qual foi o último livro que leste?
Código Da Vinci também de Dan Brown
5. Que livros estás a ler?
Anjos e Demónios de Dan Brown, leio devagar, muito devagar, claro também de poesia A Estrada Branca de
José Tolentino Mendonça
6.Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Certamente de poesia e escolhia alguns poetas que me preenchem como Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, José Tolentino Mendonça,entre outros
7. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
deixo ao critério de quem por aqui passar e quiser dar continuidade a esta cadeia literária
Um obrigado a ti {{coral}}, por confiares em mim em algo que me responsabiliza, afinal não foi assim tão dificil, fica um beijo meu para ti
terça-feira, maio 10, 2005
um sonho, uma espera, um momento, uma vida, um silêncio …
deixa o meu sonho espraiar-se
e senta-te um pouco a meu lado
deixa que adormeça no teu abraço
quando a noite avançar.
persistirei a olhar para ti
mesmo perdida em sonhos
dormindo ou acordada
serás constantemente o meu abrigo
vejo no teu olhar o horizonte
vejo o mar imenso,
solitário
sinto uma dor quase letal
e temo o silêncio duma culpa.
procuro a tua boca
os teus beijos e carícias
esta cama chama por ti
para nos reinventar num só
l.maltez
quinta-feira, maio 05, 2005
sexta-feira, abril 29, 2005
em busca de um raio de sol
numa soma de palavras
por muitas eternidades
tantas como versos
por escrever
cruel o encontro
de um tempo frágil
desprezado pela curiosidade
abandono recusado
num estado de loucura

certezas pintadas
em melodias
atravessadas pela noite
bordadas de emoção
um rigor altivo
com autenticidade
na solidez exacerbada
de um credo
um tu e um eu
banhados em raios de luz
l.maltez
por muitas eternidades
tantas como versos
por escrever
cruel o encontro
de um tempo frágil
desprezado pela curiosidade
abandono recusado
num estado de loucura
certezas pintadas
em melodias
atravessadas pela noite
bordadas de emoção
um rigor altivo
com autenticidade
na solidez exacerbada
de um credo
um tu e um eu
banhados em raios de luz
l.maltez
segunda-feira, abril 25, 2005
no fulgor da tristeza a força da memória deu alma ao corpo
nada me ocorre dizer
perdida na sombra
busquei um rosto
uma imagem
até uma mão
tua
estranho vazio
procurei uma saída
indiferente ao fascínio
e à vida
l.maltez
domingo, abril 24, 2005
a minha paleta de cores onde a realidade tem palavras pintadas por mim
tirei a pétala branca
ao malmequer amarelo
pintei um sol verde
num céu dourado
onde nasce uma lua
envolta num véu prata
o mar ondulou
em espuma azul
onde os peixes tangerina
bailam
ao som das estrelas
e eu...
gostava de me chamar van Gogh
l.maltez
domingo, março 27, 2005
terça-feira, março 22, 2005
escuto o cantar do vento
louco o vento
no sopro vibrante da melodia
cantou agitado
bailou nas folhas outonais
sóbrio
impertinente
flutuou nos sonhos
despertou preguiçoso
no jejum do dia
saudando a branca manhã
sem peso renova-se
sem medos, sem sustos
sopra no coração
poderoso e livre
torna a doce brisa amarga
engana de frente ou pelas costas
em gritos esfumados
arrasa cruel sem se deter
quebra pela força
a beleza da vida presente
l.maltez
segunda-feira, março 21, 2005
21 de Março - por ser hoje o dia mundial da poesia, foi de ti que me lembrei com uma grande saudade
Mar
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, março 20, 2005
é em ti venho ver o que jamais se viu
bebi-te mar
embriaguei-me de maresia.
neste corpo, a ondulação
da tua cor rara
alcancei-te sorrindo,
no soltar do dia
afixei-te na alma
a espuma rebenta
em ondas de prazer
.
queria bailar como as gaivotas
l.maltez
mergulho secretamente no segredo da existência
existo
nas vozes frias
na verdade escangalhada no cruzamento de linhas
nas mãos disponíveis
nos rostos recolhidos das noites
existo
num canto inacessível
entre labirintos perigosos
nos ruídos da cidade
existo
num papel molestado e cru
l.maltez
sábado, março 12, 2005
sem me desfazer procuro escutar o silêncio
chego em silêncio
sinto o sol nas veias.
uma brisa lava o meu rosto
tenho sede de mar.
deito-me na areia
naquela frescura azul.
caminho em palavras
ligada ao mar e ao sol.
o dia é um vazio entre os espaços
fico indecisa e ardente.
sinto-me perdida entre os ventos
ouço vozes na penumbra desse vazio.
sei o que amo
e amo num abandono total.
sou alguém que espera,
a que pergunta e responde.
uma esperança impossível,
a que caminha no repouso
do seu próprio silêncio.
o meu.
l.maltez
quinta-feira, março 10, 2005
em silêncio entro no sonho
busquei
a felicidade perdida
descobria-a escondida
na perturbação da noite
senti um arrepio
na pele fria e luminosa
busquei um lugar
onde se vive sem dor
na claridade dum mar
num horizonte com estrelas
sim,
onde o silêncio fosse a saudade dos sonhos
por fim retirei-me
fui amada
e odiada
na fatalidade dos dias
e esquecida
na força da vida
l.maltez
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