terça-feira, junho 21, 2005

beijo em tons prateados como o abraço tremeluzente da lua ao mar

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os meus lábios apenas dormem
voando no sonho
voando no caminho
rasgam-se de mim
e vão de encontro aos teus

Enchem-se de ternura e de calor
vão carregados de amor
sem paixões assolapadas e finitas
levam um desejo...

o calor do meu corpo agarrado ao teu


l.maltez

sexta-feira, junho 10, 2005

arrasto-me até ti mar e atravesso contigo os caminhos da minha vida

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a ti João Rodigues fica um agradecimento especial num beijo meu por me trazeres a tua praia até mim

uni palavras num secreto sonho perdida nas vozes do mar e em silêncio lembrei-me de ti ao acordar

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O Poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, maio 20, 2005

tantas noites de espera no mar imenso

mulher222.jpg

mar que cortas o silêncio
nos dias que amanhecem em sobressalto


rasgas imagens do passado
que renascem numa lua fraudulenta


trazes sobressaltos cobertos de penumbra
onde as vozes são devoradas pelo tempo


olhares cansados
corpos indolentes
pálidos


e
longe do pavor
escrevo na certeza
que tudo se esvairá
no instante de largar amarras
e zarpar


malicioso mar que me atormentas



l.maltez

sábado, maio 14, 2005

um trabalho de casa que não estava habituada

livro11.jpg


Cadeia Literária :

recebi da {{coral}} um pedido para continuar esta cadeia literária.obrigada pela confiança, embora eu não seja muito dada a inquéritos vou tentar responder, desculpa ter sido tão tarde, mas o meu blog anda sempre muito atrasado



1. Não podendo sair de Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

penso que nenhum, o que é meu é muito meu , e deixar queimar um não conseguia, não faz parte da minha maneira de ser

2. Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por uma personagem de ficção?
e não , é mesmo ficção, termina quando acaba

3. Qual foi o último livro que compraste?
Anjos e Demónios de Dan Brown, estou a gostar de o ler


4. Qual foi o último livro que leste?
Código Da Vinci também de Dan Brown

5. Que livros estás a ler?
Anjos e Demónios de Dan Brown, leio devagar, muito devagar, claro também de poesia A Estrada Branca de
José Tolentino Mendonça

6.Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Certamente de poesia e escolhia alguns poetas que me preenchem como Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, José Tolentino Mendonça,entre outros

7. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

deixo ao critério de quem por aqui passar e quiser dar continuidade a esta cadeia literária


Um obrigado a ti {{coral}}, por confiares em mim em algo que me responsabiliza, afinal não foi assim tão dificil, fica um beijo meu para ti

terça-feira, maio 10, 2005

um sonho, uma espera, um momento, uma vida, um silêncio …

sapatos2.jpg

deixa o meu sonho espraiar-se
e senta-te um pouco a meu lado

deixa que adormeça no teu abraço
quando a noite avançar.

persistirei a olhar para ti
mesmo perdida em sonhos

dormindo ou acordada
serás constantemente o meu abrigo

vejo no teu olhar o horizonte
vejo o mar imenso,
solitário

sinto uma dor quase letal
e temo o silêncio duma culpa.

procuro a tua boca
os teus beijos e carícias

esta cama chama por ti
para nos reinventar num só


l.maltez

sexta-feira, abril 29, 2005

em busca de um raio de sol

numa soma de palavras
por muitas eternidades
tantas como versos
por escrever

cruel o encontro
de um tempo frágil
desprezado pela curiosidade

abandono recusado
num estado de loucura

dois22.jpg

certezas pintadas
em melodias
atravessadas pela noite
bordadas de emoção

um rigor altivo
com autenticidade
na solidez exacerbada
de um credo

um tu e um eu
banhados em raios de luz


l.maltez

segunda-feira, abril 25, 2005

no fulgor da tristeza a força da memória deu alma ao corpo

mulher12.jpg


nada me ocorre dizer
perdida na sombra
busquei um rosto
uma imagem
até uma mão
tua
estranho vazio
procurei uma saída
indiferente ao fascínio
e à vida


l.maltez

domingo, abril 24, 2005

a minha paleta de cores onde a realidade tem palavras pintadas por mim

linda.jpg

tirei a pétala branca
ao malmequer amarelo
pintei um sol verde
num céu dourado
onde nasce uma lua
envolta num véu prata
o mar ondulou
em espuma azul
onde os peixes tangerina
bailam
ao som das estrelas
e eu...
gostava de me chamar van Gogh


l.maltez

terça-feira, março 22, 2005

escuto o cantar do vento





louco o vento
no sopro vibrante da melodia


cantou agitado
bailou nas folhas outonais


sóbrio
impertinente
flutuou nos sonhos


despertou preguiçoso
no jejum do dia
saudando a branca manhã


sem peso renova-se
sem medos, sem sustos
sopra no coração

poderoso e livre
torna a doce brisa amarga


engana de frente ou pelas costas
em gritos esfumados
arrasa cruel sem se deter


quebra pela força
a beleza da vida presente



l.maltez

segunda-feira, março 21, 2005

21 de Março - por ser hoje o dia mundial da poesia, foi de ti que me lembrei com uma grande saudade

torreira9vn.jpg

Mar


Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.


E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, março 20, 2005

é em ti venho ver o que jamais se viu

gaivota.JPG


bebi-te mar
embriaguei-me de maresia.


neste corpo, a ondulação
da tua cor rara


alcancei-te sorrindo,
no soltar do dia
afixei-te na alma


a espuma rebenta
em ondas de prazer
.
queria bailar como as gaivotas



l.maltez

mergulho secretamente no segredo da existência

deep.JPG


existo
nas vozes frias

na verdade escangalhada no cruzamento de linhas

nas mãos disponíveis

nos rostos recolhidos das noites

existo

num canto inacessível

entre labirintos perigosos

nos ruídos da cidade

existo

num papel molestado e cru



l.maltez

sábado, março 12, 2005

sem me desfazer procuro escutar o silêncio

caminhando12.JPG

chego em silêncio
sinto o sol nas veias.


uma brisa lava o meu rosto
tenho sede de mar.


deito-me na areia
naquela frescura azul.


caminho em palavras
ligada ao mar e ao sol.


o dia é um vazio entre os espaços
fico indecisa e ardente.


sinto-me perdida entre os ventos
ouço vozes na penumbra desse vazio.


sei o que amo
e amo num abandono total.


sou alguém que espera,
a que pergunta e responde.


uma esperança impossível,


a que caminha no repouso
do seu próprio silêncio.
o meu.



l.maltez

quinta-feira, março 10, 2005

em silêncio entro no sonho

mulher so212.JPG


busquei
a felicidade perdida


descobria-a escondida
na perturbação da noite


senti um arrepio
na pele fria e luminosa


busquei um lugar
onde se vive sem dor
na claridade dum mar
num horizonte com estrelas


sim,
onde o silêncio fosse a saudade dos sonhos


por fim retirei-me


fui amada
e odiada
na fatalidade dos dias


e esquecida
na força da vida



l.maltez

  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...